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Créditos: Câmara do Recife

Jô informou que seguirá defendendo a tramitação do projeto e o direito dos povos de terreiro e da Jurema Sagrada

Thiago Medina distorce texto de projeto de lei em homenagem a religiao de matriz afro indigena e hostiliza Jô Cavalcanti PSOL

18/08/26

O vereador Thiago Medina (PL) proferiu ataques e hostilizou a religião da Jurema Sagrada, na sessão desta segunda-feira (17) na Câmara Municipal de Recife. Em uma fala na tribuna para discutir o Projeto de Lei da vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) que busca instituir o Dia Municipal da Mestra Ritinha, Medina distorceu o conteúdo do projeto e utilizou a tribuna para atacar a religião de matriz afro-indígena, em um episódio denunciado por Jô como racismo e intolerância religiosa. 

 

Ao se posicionar contra a proposta, Thiago Medina fez chacota contra o projeto e associou a Jurema Sagrada e suas entidades ao diabo. Em sua fala, o vereador também afirmou que não permitiria que a religião fosse reconhecida como legítima no Recife. Eduardo Moura (NOVO) também se colocou contra e reforçou os ataques. 

 

A proposta da vereadora Jô, busca instituir uma data em homenagem à Mestra Ritinha e reconhece sua trajetória e a importância histórica, cultural e religiosa da Jurema Sagrada para o Recife. Uma iniciativa para preservar a memória e valorizar uma tradição religiosa ligada à história e à cultura popular pernambucana. 

 

Para Jô Cavalcanti, única vereadora negra da Câmara Municipal do Recife, a postura dos parlamentares ultrapassou a divergência política sobre a matéria. A vereadora classificou as manifestações como um episódio explícito de intolerância religiosa.

 

“Usaram informações que não estavam no conteúdo do projeto para atacar a Jurema Sagrada, associar sua fé ao diabo e desrespeitar suas entidades e seus seguidores. Isso tem nome: racismo religioso. É inadmissível que a tribuna da Casa do Povo seja utilizada para hostilizar uma religião e as pessoas que mantêm viva essa tradição na nossa cidade”, afirmou Jô.

 

A parlamentar também repudiou os ataques dirigidos a ela durante a discussão e afirmou que o episódio evidencia a violência política de gênero e raça enfrentada por mulheres negras que ocupam espaços institucionais. 

 

O mandato da vereadora informou que seguirá defendendo a tramitação do projeto e o direito dos povos de terreiro e da Jurema Sagrada de terem sua história, cultura e fé respeitadas pelo poder público. 

 

“Não aceitaremos que o racismo religioso seja naturalizado dentro da Câmara do Recife. A Jurema Sagrada faz parte da história desta cidade, e quem professa essa fé merece respeito. Vamos acionar a Comissão de Ética da Casa para apurar o caso”, concluiu a vereadora.

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