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O PSOL Pernambuco reuniu lideranças partidárias, representantes da Federação PSOL/REDE e militantes na terça-feira (13), na Casa Marielle Franco para organizar a mobilização da militância pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foram debatidas estratégias para enfrentar a abstenção do primeiro turno, conquistar novos votos e ampliar a campanha para virar a eleição e impedir que Flávio Bolsonaro seja eleito.
Participaram do encontro o presidente do PSOL-PE, Samuel Herculano; o presidente da Federação PSOL/REDE em Pernambuco, Jerônimo Galvão; Alice Gabino e Paulo Rubem Santiago, da REDE, respectivamente candidata a vice-governadora e candidato ao Senado na chapa da Federação nas eleições estaduais; Jones Manoel (PSOL), deputado federal eleito; e Yasmim Alves, candidata a deputada estadual mais votada do PSOL em Pernambuco. O candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSOL nas eleições de 2026, Ivan Moraes, infelizmente não pôde participar da atividade por motivos de saúde.
Na luta contra as abstenções e por novos votos
As intervenções convergiram na defesa de uma campanha capaz de alcançar quem não compareceu às urnas, votou em outras candidaturas ou está indeciso, com diálogo direto sobre as consequências políticas e sociais de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, e sobre o fato de ter Lula na presidência assegurar melhores condições para que o campo político progressista possa lutar pela ampliação de direitos historicamente demandados pela classe trabalhadora.
Samuel Herculano, presidente do Diretório Estadual do PSOL-PE. Foto: Keise Nascimento
Samuel Herculano ressaltou que a prioridade neste momento é convencer novos eleitores e eleitoras, especialmente quem não votou no primeiro turno. Para o presidente do PSOL-PE, a campanha precisa evitar que divergências internas ou disputas entre setores do campo progressista desviem a atenção do objetivo central. Ele defendeu o diálogo sobre a trajetória política de Flávio Bolsonaro e seus compromissos com os interesses empresariais, em detrimento dos direitos da classe trabalhadora.
Paulo Rubem Santiago também destacou a importância de transformar a mobilização em uma tarefa cotidiana e organizada. Alice Gabino reforçou que a redução da distância eleitoral exige trabalho para além dos grandes atos públicos, e criticou a decisão judicial que voltou a derrubar o canal do Exército de Lula, classificando a medida como censura e um ataque ao Estado Democrático de Direito.
Jones Manoel (PSOL-PE) foi o segundo candidato a deputado federal mais votado de Pernambuco. Foto: Keise Nascimento
Em sua intervenção, o deputado federal eleito pelo PSOL-PE, Jones Manoel, destacou o papel do PSOL na disputa política nacional e defendeu que o partido fortaleça sua atuação independente, mantendo o compromisso com um programa de transformação social.
O deputado federal eleito também rebateu as críticas à decisão de não formar uma federação com o PT, argumentando que o PSOL ampliou sua votação e sua presença institucional nas eleições de 2026, além de cumprir um papel importante na defesa de posições mais à esquerda.
Jones avaliou que a campanha de Lula no primeiro turno concentrou esforços na defesa do legado do governo, mas deixou em segundo plano propostas capazes de responder às preocupações cotidianas da população trabalhadora, como os preços dos alimentos, da gasolina, da energia e os aluguéis; a precarização do trabalho por meio da pejotização; e as condições dos trabalhadores e trabalhadoras de aplicativos.
Em sua fala, Jones Manoel também defendeu que o PSOL deve continuar apresentando uma agenda de futuro baseada em propostas como tarifa zero no transporte público, recuperação e ampliação do metrô do Recife, revogação das reformas trabalhista e da Previdência, enfrentamento à pejotização, a reindustrialização do Brasil e a ampliação dos direitos sociais.
Para Jones, o objetivo da campanha pela reeleição de Lula não deve ser convencer a população a aderir ao lulismo ou ao petismo, mas demonstrar como uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia afetar a vida de trabalhadores, aposentados, pessoas com deficiência e famílias que dependem dos serviços públicos.
Ao abordar os possíveis efeitos de um governo de extrema direita, Jones chamou a atenção para os riscos de cortes em políticas de saúde e educação, de enfraquecimento da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de aumento do custo de vida. A estratégia, segundo ele, passa por reconhecer as insatisfações existentes com o governo e estabelecer um diálogo respeitoso, sem ignorar as dificuldades enfrentadas pela população.
O deputado também rejeitou o discurso derrotista e defendeu que a militância mantenha a confiança na possibilidade de vitória. Para ele, os atos públicos têm papel importante na recuperação do ânimo coletivo, mas precisam ser acompanhados de conversas nos bairros, locais de trabalho, comunidades e espaços de convivência.
Yasmim Alves foi a candidata da Federação PSOL/REDE mais votada para a ALEPE. Foto: Keise Nascimento
Yasmim Alves, por sua vez, deu as boas-vindas às pessoas presentes na Casa Marielle Franco, com atenção especial aos novos filiados e filiadas ao PSOL. A candidata destacou a construção coletiva do partido junto à REDE, ao PCB, ao PCBR e aos movimentos sociais, além de saudar a organização ecossocialista e a eleição de Jones Manoel para a Câmara dos Deputados.
Yasmim também relacionou a organização partidária à conquista de avanços políticos e eleitorais e defendeu que a militância procure as pessoas frustradas ou desanimadas com a política. Para ela, a ansiedade e o medo presentes nas redes sociais podem ser transformados em ação coletiva quando as pessoas se organizam.
Na ocasião, Yasmim também convidou quem tivesse interesse de se juntar a ela em atividades de campanha para virar votos, como as ações que ela realiza durante a madrugada nas portas de garagens de empresas de transporte público rodoviário, dialogando com os motoristas e cobradores dos coletivos.
A plenária reafirmou, assim, o compromisso do PSOL-PE com a mobilização pela reeleição de Lula e com a continuidade da organização popular para além do calendário eleitoral. A orientação central foi ampliar o diálogo com quem ainda não decidiu seu voto, enfrentar a abstenção e levar a disputa política para os espaços em que a população vive, trabalha e se organiza.
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