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O prefeito ignora alternativas apresentadas pela sociedade civil que não beneficiem o setor privado

João Campos ataca esquerda chamando de "lacração" as críticas à privatização do centro do Recife

17/12/25

Em recente entrevista, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), resolveu mirar seus ataques à esquerda, que tem criticado a privatização dos espaços públicos da capital, com destaque ao projeto do “Distrito Guararapes”, que entrega a gestão de parte do bairro de Santo Antônio à iniciativa privada. 

 

Ao afirmar que os críticos às suas decisões "querem fazer o debate da lacração", supostamente baseado em "um discurso rápido de rede social”, João Campos escolhe ignorar a existência de projetos sérios que já foram apresentados à gestão municipal.  

 

O principal exemplo de alternativa ignorada pelo prefeito é o Projeto "Recife Cidade das Culturas Populares", apresentado em uma Audiência Pública na Câmara Municipal do Recife realizada em junho de 2024. 

 

Trata-se de uma iniciativa reivindicada por grupos da cultura popular, articulada pelo mandato do então vereador Ivan Moraes, e desenvolvida por professores(as), egressos(as) e estudantes do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). É um projeto de infraestrutura que serve de plataforma para as artes no centro do Recife.  

 

Ou seja, João Campos diz que "se tiver uma alternativa melhor que viabilize as pessoas morarem no centro e deixar de ter um bocado de prédio abandonado, eu sou o primeiro a concordar", enquanto desconsidera projetos sérios e tecnicamente elaborados pela sociedade civil.

 

Lideranças do PSOL rebatem

 

Agora pré-candidato a governador de Pernambuco pelo PSOL, Ivan Moraes questionou, por meio de postagens nas redes sociais, “A quem interessa adjetivar de ‘lacração’ críticas embasadas contra o projeto de privatização de um bairro inteiro?”. 

 

“Muita gente altamente qualificada, que tem vivência e histórico de luta no Recife, não foi ouvida. Nem sequer outros estudos contratados pela Prefeitura, sob gestões passadas, são considerados. O prefeito João Campos precisa descer do salto e ouvir com cuidado quem quer tornar a cidade justa”, escreveu o pré-candidato.

 

Na entrevista, João Campos argumenta que o projeto do Distrito Guararapes foi adequada e legitimamente debatido com a população. “A gente abriu consulta pública. Cadê as sugestões na consulta pública? A maior parte é 'sou contra a privatização'. Por que não dá uma alternativa?”. 

 

Mas a verdade que o prefeito quer esconder é que o processo foi bem menos transparente do que afirmou em suas falas públicas. A consulta popular à qual o prefeito se refere começou no dia 6 de outubro, não teve a devida publicização promovida pela prefeitura, e terminou menos de um mês depois, no dia 4 de novembro.

 

Além disso, a única audiência foi online, com 70 pessoas que, segundo fontes ouvidas pela Marco Zero Conteúdo, não conseguiam ver quem eram os demais participantes, nem comentar ou fazer perguntas no chat. 

 

“Uma consulta pública que passou pouco tempo no ar, com centenas de páginas que só foram viabilizadas na véspera de uma audiência em que a população não pôde participar. Audiência remota em que a única participação que se podia fazer era escrita no chat. Que as perguntas não foram respondidas. Tu pode dizer que isso é participação? É tanto participação que a sociedade civil tá fazendo um abaixo-assinado para ser ouvida. O Mestrado de Desenvolvimento Urbano da UFPE não foi ouvido em hora nenhuma, os professores e professoras do MDU assinaram o abaixo-assinado querendo ser ouvidos. Tu quer dizer a mim que doutores e doutoras que estão aí estudando a cidade há décadas não fizeram o dever de casa, velho? Humildade, 'bro'! Vamo falar de política com maturidade, de um jeito sério!”, disse Ivan Moraes

 

Dirigente do PSOL, Yasmim Alves afirma que "apesar de não dar conta de todas as questões que envolvem o centro do Recife", o projeto Recife Cidade das Culturas é "uma visão de futuro concreta, por exemplo, para o Bairro de São José". 

 

"Acredito que o Prefeito João Campos (PSB) e o seu secretariado tem um desafio e uma oportunidade na mão que, junto à sociedade civil, pode trazer bons frutos pra população. Porém, João continua escolhendo o marketing, opta por espaços de "participação popular" limitados, escolhe a privatização assim como tem feito com parques, creches, ruas e agora até distritos inteiros", disse Yasmim.


João Campos, o lacrador

 

Prefeito do Recife

Crédito: Reprodução/Redes sociais

 

Vale também ressaltar que, enquanto acusa seus críticos de quererem resolver os problemas do Recife com um discurso vazio, “de lacração”, que só visa a popularidade nos meios digitais, João Campos gasta três vezes mais com publicidade que com prevenção a enchentes no Recife. 

 

Além disso, a Prefeitura do Recife pagou R$ 1,2 milhão à Agência Hermanos (que também presta serviços ao diretório do PSB-PE) para impulsionar a presença digital de Campos nas redes sociais.

 

O João Campos que chama adversários de “lacradores” foi alvo de críticas e denúncias por propaganda eleitoral antecipada junto ao Ministério Público Eleitoral após o Carnaval de 2024, quando o prefeito não somente modificou o visual como subiu ao palco principal do Marco Zero e dançou com os artistas que se apresentavam.

 

 

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