A prefeita de Olinda, Mirella Almeida, está no centro de uma polêmica sobre pagamento de cachês no Carnaval. Créditos: Reprodução/Instagram @mirellaalmeida
Reportagem revela contratos suspeitos, favorecimento político e a desvalorização das agremiações históricas no Carnaval de Olinda sob a gestão de Mirella Almeida
A condução do Carnaval de Olinda por parte da prefeitura - que vem acumulando problemas nos últimos anos - atingiu um novo patamar de absurdo. Reportagem da jornalista Raíssa Ebrahim, publicada pela Marco Zero Conteúdo, revelou indícios de mau uso do dinheiro público, personalismo na gestão municipal e total inversão de prioridades na política cultural da cidade, em prejuízo direto das agremiações tradicionais que fazem do Carnaval de Olinda uma referência mundial.
Enquanto troças, blocos e orquestras históricas receberam valores irrisórios — muitas vezes pagos com atraso —, a gestão da prefeita Mirella Almeida (PSD) empenhou milhões de reais em cachês inflados para bandas de pequeno porte, sem trajetória reconhecida na cena cultural pernambucana, contratadas para tocar em polos periféricos e blocos de bairro. Em vários casos, os valores pagos chegam a ser dez vezes maiores do que os praticados no mercado privado para esse mesmo tipo de apresentação.
A reportagem expôs, ainda, que as empresas agenciadoras dessas bandas são interligadas por laços familiares, e todas estão cadastradas num mesmo endereço precário na periferia de Igarassu. Juntas, quatro agenciadoras concentraram grande parte dos contratos artísticos do Carnaval de 2025, recebendo milhões da Prefeitura de Olinda, apesar de representarem artistas pouco conhecidos e sem histórico relevante na cultura popular do Estado.
Várias dessas bandas se apresentaram em blocos e eventos ligados a vereadores de Olinda, inclusive Felipe Nascimento (PSD), que é marido da prefeita Mirella Almeida e sobrinho do ex-prefeito Professor Lupércio. Isso reforça os indícios de personalismo, promiscuidade entre interesses privados e uso da máquina pública na gestão da cultura de Olinda.
O PSOL Pernambuco reforça que esses fatos não surpreendem ninguém, visto que consideramos o desmonte do Carnaval de rua em Olinda um projeto concretizado por políticos que desejam beneficiar o lucro do capital privado - que ganha com o distanciamento do folião das ruas para as “casas camarote”. Não é à toa que Mirella e Lupércio são próximos e fazem parte do mesmo grupo político da governadora Raquel Lyra, que administra o estado como se Pernambuco estivesse à venda e a serviço do capital.
O (hoje) ex-prefeito Professor Lupércio, a governadora Raquel Lyra, a (hoje) prefeita Mirella Almeida e o vice-prefeito, Chiquinho, no evento que oficializou a candidatura de Mirella à Prefeitura de Olinda. Foto: Divulgação/PSD
Enquanto bandas contratadas por essas produtoras receberam cachês de até R$ 70 mil por apresentação, agremiações centenárias e símbolos do Carnaval olindense — como Elefante, Pitombeira, Ceroula, Vassourinhas, Homem da Meia-Noite e tantas outras — receberam valores muito inferiores, mesmo sendo responsáveis por vários desfiles e por atrair milhares de foliões ao Sítio Histórico.
Essa política revela uma inversão brutal de prioridades: o dinheiro público é direcionado a contratos suspeitos e eventos periféricos politicamente apadrinhados, enquanto a base cultural do Carnaval é negligenciada, desvalorizada e empurrada para a precarização.
Para o ex-vereador do Recife e atual pré-candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSOL, Ivan Moraes, o que está em curso em Olinda é um desvirtuamento completo do papel do poder público no Carnaval.
“O Carnaval de Olinda não pode ser tratado como balcão de negócios, nem como instrumento de promoção pessoal ou eleitoral. A festa existe por causa das agremiações, dos artistas populares e do povo que ocupa as ruas”, tem afirmado Ivan em suas redes sociais.
Os fatos denunciados pela reportagem expõem um novo elemento de um amplo quadro de críticas já feitas à Prefeitura de Olinda: atrasos recorrentes nos pagamentos de artistas, falta de planejamento, ausência de fiscalização adequada, permissividade com o uso irregular de som mecânico, circulação de veículos em meio aos foliões, desorganização do comércio ambulante, escassez de banheiros químicos e riscos constantes ao patrimônio histórico da cidade.
Para o PSOL Pernambuco, o caso exige apuração rigorosa pelos órgãos de controle, mas isso não seria o suficiente. É preciso fazer mudanças profundas na forma como a Prefeitura de Olinda trata o Carnaval.
O partido reafirma seu compromisso histórico com a cultura popular, com os artistas que fazem a nossa cultura popular e com um modelo de gestão pública transparente, democrática e participativa, com consulta popular sobre as agendas dos ciclos festivos.
O Carnaval de Olinda não é mercadoria, nem moeda de troca política, ele é um patrimônio cultural e imaterial do povo pernambucano. Reafirmamos nossa luta por uma gestão municipal que seja comprometida com o interesse coletivo e entenda o que o povo precisa para brincar com segurança, alegria e tranquilidade.
Defender o Carnaval é defender políticas públicas que priorizem quem constrói a festa há décadas, garantam condições dignas de trabalho, protejam os foliões e preservem o patrimônio histórico. É essa visão que o PSOL seguirá defendendo em Olinda e em todo Pernambuco.
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